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—-Será que o tempo da Direita voltou? Por Vinícius Couzzi Mérida*
A história parece mover-se como um pêndulo: forças políticas ascendem, consolidam-se e, quando parecem destinadas a permanecer, perdem espaço. Quem se lembra da tríade PSDB, PFL e PMDB nos anos 1990? Sua hegemonia parecia duradoura, mas se desfez. Depois veio a ascensão do PT nos anos 2000, com Lula amparado por uma ampla base parlamentar e elevada aprovação popular. Também aquela configuração encontrou seus limites.
A década de 2010 trouxe turbulência. Dilma Rousseff viu seu governo enfraquecer em meio à crise econômica, aos escândalos de corrupção envolvendo o PT e outros partidos e à deterioração de sua sustentação no Congresso. O impeachment e, posteriormente, a eleição de Jair Bolsonaro marcaram uma mudança de direção. Lula, que esteve preso e fora da disputa de 2018, retornou à Presidência após uma vitória apertada em 2022.
Agora, a impressão é de que esse ciclo também se aproxima do esgotamento. Em sintonia com o avanço das direitas em parte da América do Sul, setores da sociedade brasileira parecem abrir espaço para uma nova geração conservadora: jovem, ainda heterogênea e pouco definida, mas disposta a ocupar o lugar das lideranças que marcaram a redemocratização iniciada em 1985. Mais do que uma alternância entre partidos, talvez estejamos diante de uma transição geracional.
As desconfianças são grandes, e o desfecho permanece em aberto. Ainda assim, ganha força uma direita que combina conservadorismo, identidade religiosa e a promessa de recuperar valores percebidos como mais sólidos e duradouros. Há, porém, um paradoxo: essa juventude busca no passado a estabilidade que suas próprias lideranças ainda precisam demonstrar.

*Vinícius Couzzi Mérida, professor de História, Geografia e Ciências Sociais, escritor e Doutor em Ciências da Religião – PUC Minas e ULAVAL do Canadá





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