No ecossistema do poder, habita uma espécie cujas táticas remetem aos predadores mais antigos da Terra: os crocodilianos da política. Seres de sangue frio, eles não geram o próprio calor; dependem inteiramente da luz que emana do prestígio alheio e das estruturas governamentais para se aquecerem e agirem.
A Emboscada nas Sombras
Diferente dos que buscam o embate direto, o crocodiliano é um mestre da paciência e da ocultação. Ele é capaz de permanecer submerso nas sombras das instituições por horas, meses ou mandatos inteiros. Enquanto finge imobilidade, tece tramas maquiavélicas e observa o movimento da superfície. Seu objetivo é o “sol do poder”: ele aguarda o momento em que a autoridade atinge seu ápice para emergir e reivicar sua parte, muitas vezes articulando contra a própria fonte de energia da qual se alimentou.
O Fenômeno das Lágrimas de Crocodilo
A ferramenta mais sofisticada desse predador político é a simulação da dor. Na biologia, as “lágrimas de crocodilo” ocorrem por um motivo puramente fisiológico: ao devorarem suas presas, o ato de morder e engolir pressiona as glândulas lacrimais, ou o ar quente expelido pelos seios nasais força a saída do fluido. Não há tristeza; é um subproduto do banquete.
Na política, o fenômeno é idêntico. O crocodiliano chora para convencer e se faz de vítima para desarmar os adversários. Suas lágrimas surgem justamente no momento em que ele “devora” a confiança daqueles que nele acreditaram. É um mecanismo de defesa que serve para ocultar a agressão enquanto ela acontece.

O Banquete da Dissimulação
Eles estão em toda parte, infiltrados em gabinetes e partidos, agindo silenciosamente contra qualquer um que não se alinhe aos seus interesses pessoais. Alguns, com o passar do tempo, deixam o couro endurecido à mostra e revelam sua verdadeira natureza. Outros, porém, são tão proficientes na arte da camuflagem que conseguem chegar ao fim da vida pública enganando a multidões e, em um estágio avançado de psicopatologia política, convencendo até a si mesmos de sua suposta integridade.
O rastro que deixam é sempre o mesmo: o vazio deixado por aqueles que foram usados como alimento e o frio de quem só conhece o poder como ferramenta de sobrevivência e domínio. NinoBellieny






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