Texto de Sávio Neves- Ainda podemos sonhar com ferrovias de passageiros no Brasil?
No dia 9 de outubro deste ano, celebraremos os 142 anos da Estrada de Ferro do Corcovado, primeira ferrovia eletrificada do Brasil inaugurada por D. Pedro II em 1884, portanto exatos 47 anos antes da inauguração do Monumento ao Cristo Redentor.

Esta pequena ferrovia, com seus 3829 m de extensão, lidera o ranking de visitação das 32 últimas ferrovias de passageiros ainda existentes no Brasil.

São mais de 1.2 milhões de passageiros / ano, turistas do mundo todo, especialmente os vizinhos argentinos e chilenos, além dos europeus alemães, franceses e portugueses.
Em 2019, colocamos em operação a quarta geração de trens, modernas, econômicas e mais ágeis.

Este novo modelo, que vem do mesmo fabricante das 3 outras gerações, STADLER, agrega todas inovações da engenharia ferroviária mundial dos últimos anos, inclusive um sistema de acumulação da energia gerada na descida dos trens e que será utilizada no esforço da subida da montanha. Novo design, cabine, teto solar, disposição dos assentos… nestes novos trens, está embarcado o que existe de melhor no mundo Ferroviário.
Quando viajamos pelo mundo: EUA, Europa, Ásia… mesmo na América do Sul, África, Oceania… nós deparamos com o uso intensivo e compartilhado do modal Ferroviário, junto dos outros diferentes modais de transporte público, – rodoviario, aereo, marítimo… sem a exclusão dos trens.
Aqui no Brasil, desde a década de 50 do Século passado, com a chegada da indústria automobilística, houve uma grande campanha apoiada na decisão dos sucessivos Governos Federais, de se erradicar as ferrovias que aqui operavam, e que foram estimuladas e financiadas em grande parte, no Século XIX, pelo grande brasileiro Visconde de Mauá, o maior de todos os empreendedores que aqui nasceram e viveram.

Mauá é, por toda sua obra e história, o grande inspirador dos empresários e ferroviários brasileiros.
Em 1956 desativaram a ferrovia que ligava a Capital do Brasil, Rio de Janeiro, a Nova Friburgo.
O que se viu depois desta decisão equivocada foi o empobrecimento de toda Região e seus habitantes que perderam uma ligação direta, segura e confortável entre o Distrito Federal e aquele importante centro de negócios no interior do Estado, que já àquela altura representava importante região Agrícola e industrial, com confecções, Têxtil, Metal Mecânica e Artefatos de couro.
O Barão se Nova Friburgo foi, na primeira metade do Século XX, o Brasileiro mais rico do País. Sua casa era o atual Palácio do Catete, onde morou e morreu Getúlio Vargas.
O mesmo fenômeno conomico-social, de esvaziamento, aconteceu a partir de 1964, quando o Governo Federal desativou a ligação ferroviária entre Rio se Janeiro e Petropolis.
Mesmo ciclo vicioso ocorreu naquela região serrana.
As ferrovias podem se transformar em grandes oportunidades de negócios no Brasil, especialmente na Região Sudeste, onde moram 40% dos habitantes do País.
Se houver um Plano pra se “vender” a ideia, seduzindo investidores brasileiros e estrangeiros, não tenho nenhuma dúvida que em pouco tempo, veremos o renascer das ferrovias no País, sustentadas por modelos de negócios atraentes ao capital privado. Esta é a única saída pra retomarmos o modal Ferroviário no Brasil, com Planos bem fundamentados, bem apresentados, e com a segurança jurídica destas concessões garantida.
A mudança tem que vir com diálogo, muita conversa, convencimento e até pressão.
Precisamos mostrar àqueles incrédulos que hoje tem o poder de decisão, de que as ferrovias, depois de 170 anos da Primeira ferrovia no Brasil, inaugurada pelo Visconde de Mauá em Guia de Pacobaiba, Mage, RJ, ainda são as melhores e a mais apropriada alternativa de transporte público para nosso País, que tem 210 milhões de pessoas espalhadas em um território de dimensões continentais.

Precisamos avançar com este mantra, em um esforço concentrado, numa verdadeira Força-Tarefa, para mudar o destino de erradicação que foi imposto ao sistema Ferroviário brasileiro.
Viva o Trem!!!





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