RIO DE JANEIRO – A subida ao topo do Corcovado é também um triunfo mecânico. No livro “Trem do Corcovado: 120 Anos de História”, o autor, Sávio Neves, desmonta e remonta a estrutura da ferrovia mais antiga do país, afastando-se da contemplação passiva para se fixar no esforço técnico que sustenta o trajeto. Neves, engenheiro, que comanda a operação da linha, escreve com o rigor de quem conhece cada engrenagem do sistema de pinhão e cremalheira.

A narrativa retrocede a 1884, expondo a audácia de instalar trilhos em uma inclinação que desafiava a gravidade com tecnologia suíça. O autor detalha a transição da propulsão a vapor para a tração elétrica, evidenciando que o Corcovado funcionou como um laboratório da modernização ferroviária brasileira.

O texto impecável de Sávio Neves opera com um completo técnico e humano. Ele apresenta a precisão do sistema Riggenbach adaptado ao solo carioca, garantindo estabilidade onde o atrito simples falharia. A obra revela ainda que o trem já era um sucesso de engenharia décadas antes da construção do Cristo Redentor, utilizando registros de época que comprovam a complexidade do canteiro de obras vertical em plena floresta.

O trabalho de Neves expõe o esqueleto de ferro que permite a funcionalidade do local. É uma análise sobre como a técnica forjou a identidade urbana do Rio, transformando um obstáculo geográfico em um eixo de mobilidade e observação, parte indissociável de uma das maravilhas do mundo contemporâneo.





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